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relógio clock
 
É simplesmente aborrecedor pensar sobre o tempo, para não dizer enlouquecedor. O que poderia ter sido, o que poderá ser e o que é. O martírio que provém do arrependimento e a esperança que provém das expectativas. A incapacidade que provém da realidade.
 
Os mais sábios dizem que o passado e o futuro na verdade não existem. Apenas o presente é real, pois somente ele pode ser observado e experimentado. Enquanto o passado reside inalterado na memória, o presente podemos mudar para mudarmos nosso futuro. Mas quem disse que podemos mudar alguma coisa?
 
Os cientistas creem que se soubermos como está todo o Universo em um dado momento, eles poderão dizer como foi o passado e também como será o futuro. Então se tal afirmativa é verdadeira, o futuro é algo que já está definido, sem nos deixar nenhuma chance de mudança. Tudo seria destino.
 
O único problema é que estamos muito longe (anos-luz eu diria) de saber qual é o estado completo do Universo, para sabermos se o futuro é mutável ou imutável, principalmente depois que Werner Heisenberg formulou seu famoso “Princípio da Incerteza” em 1926. Este princípio diz, de forma resumida, que quanto mais preciso for um experimento mais ele alterará o objeto de estudo, consequentemente, deixando-o impreciso.
 
Além disso, a matéria visível compõe somente 4% do Universo e não sabemos praticamente nada sobre a matéria escura que compõe o restante, sem falar nas diversas teorias que permanecem sem confirmação sobre as partículas elementares e as energias que regem estas partículas. Isso com certeza nos deixa mais longe de sabermos tudo sobre tudo, aliás, se isto for possível.
 
Ninguém gosta de pensar no livro de sua vida escrito em pedra, no qual não se pode mudar nem uma letra sequer. É mais reconfortante pensar que você pode trilhar seu caminho como bem entender e que você pode mudar a qualquer momento o rumo de sua história.
 
O que acho que deva ser levado em consideração são nossos pensamentos, sentimentos e atitudes. Se estamos fadados ou não à um destino, isso não muda nada se continuarmos a tomar decisões espontâneas, de acordo com nossa vontade no momento. Pode haver destino mas ainda continuaremos a viver da forma que queremos. Desta forma, estamos fazendo o futuro a cada dia, mesmo que seja um futuro previsto.
 
Pressupondo, é claro, que nossas decisões são livres da influência do destino. Que se algo sair da rota prevista, o destino não fará com que as coisas sigam o caminho que deveriam tomar. E que não há nenhuma força moldando nossos pensamentos, sentimentos e atitudes, pois se houver tal força, seremos apenas peças de um tabuleiro sem escolhas e sendo movimentadas por uma inteligência superior. Seria o fim do livre-arbítrio.
 
E se soubéssemos o que faríamos no futuro, poderíamos tomar atitudes diferentes? Poderíamos modificar o presente, que é o passado de um futuro que ainda não se tornou real. Criaríamos uma realidade paralela com este novo conhecimento ou será que  “o tempo” já saberia que teríamos tal conhecimento e o futuro continuaria o mesmo?
 
São perguntas para as quais eu ainda não tenho as respostas. Mas creio, particularmente, que o futuro seja um traçado de diversas rotas de acontecimentos, possibilidades, tanto as mais prováveis quanto as mais absurdas, que formam uma imagem confusa do que vai acontecer. Algumas rotas possuem pontos comuns, interseções, que são acontecimentos ou sucessão de acontecimentos que ocorrerão indenpendentes de quais rotas se tornem reais, pois todas elas levam ao mesmo desfecho.
 
Portanto, o tempo não é uma linha reta sem fim. Ele parece mais um embolado de retas, realidades alternativas, perpectivas que ainda não se concretizaram e eventos passados. Todos se misturando para formar o presente. Mas esse não seria apenas o tempo dentro de nossas mentes, o qual podemos ir e voltar como um filme, como nossa história e a história do nosso tempo?
 
O tempo poderia ser visto como um único ponto, que seria o presente, sem passado ou futuro. O tempo então apenas é e nunca será ou foi, já que o passado e o futuro são invenções humanas para medidas humanas de tempo. Contudo, se algo existe na mente, isto existe, ao menos virtualmente.
 
Por fim, o passado e o futuro existem, sendo que são deveras inscontantes assim como o é o próprio presente, pois o futuro está constantemente se tornando presente, e este último virando passado. Será que o passado pode virar futuro? Acho que não, mas sempre nos baseamos em experiências passadas para tomar nossas atitudes futuras. Então, o que posso concluir disso tudo é que vivemos tanto no presente, quanto no futuro e também no passado. Não há divisão que possa ser traçada entre eles. O tempo é por si só, ao menos em nossas mentes, os três juntos ao mesmo tempo.
 
Não disse ser um tema enlouquecedor?
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Acredito que eu esteja destinado a algo. Alguma coisa grande, tão grande que eu não consigo prever, como se fosse algo que dependesse de acontecimentos muito marcantes em minha vida e onde muitas energias interagem podendo mudar seu desfecho. Ao mesmo tempo sinto que é algo tão certo que as estrelas se acomodaram durante milênios no Universo para este momento, procurando pela melhor visão dos acontecimentos, como se eu pouco pudesse fazer, mesmo sabendo que eu tenho pleno poder sobre minha vida. Enfim, o jeito é ir vivendo e vendo o que meu futuro mostra, o meu presente se transforma e meu passado se transporta para as páginas de minha história.

Abraços…

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